quarta-feira, 17 de outubro de 2012
Sobre as nuvens
E sempre de novo
quando me vejo cansado
de humanas faces,
e tantos espelhos
dos triviais sem fim,
os olhos soergo
sobre casas e árvores
em direção a vós, oh
pensamentos eternos do céu.
A sua grandeza e liberdade
sempre torna a me redimir,
e penso convosco
deixar-me ir, vencer terras e mares
e preso a vós
por sobre abismos, deparar o infinito
e dissolver-me, enfim
feito o pó,
quando eu, já sem senso de medida,
ver a voar grãos de estrelas
sobre os campos de profundidades abissais.
Christian Morgenstern
tradução de Saulo Krieger
An die Wolken
Und immer wieder,
wenn ich mich müde gesehn
an der Menschen Gesichtern,
so vielen Spiegeln
unsäglicher Torheit,
hob ich das Aug
über die Häuser und Bäume
empor zu euch,
ihr ewigen Gedanken des Himmels.
Und eure Größe und Freiheit
erlöste mich immer wieder,
und ich dachte mit euch
über Länder und Meere hinweg
und hing mit euch
überm Abgrund Unendlichkeit
und zerging zuletzt
wie Dunst,
wenn ich ohn' Maßen
den Samen der Sterne
fliegen sah
über die Äcker
der unergründlichen Tiefen.
Christian Morgenstern
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