segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Hortênsias azuis

O último verde em um pote colorido
é tal e qual estas folhas, secas em aspereza indiferente,
atrás das umbelas das flores, em si não trazem
nenhum azul, só o refletem de longe.

Reflexos fazem lacrimejar, e tão imprecisos,
como de novo quisessem se perder,
lembrando os velhos papéis de carta
onde há o amarelo, o violeta, o cinza;

Lavado como em avental de criança,
A que se pôs de lado e não mais se usou:
Assim se sente uma pequena duração de vida.

E eis que renovado em uma das umbelas
se revela o azul, e então se vê
a sua cor inquieta a se refestelar no verde.

Rainer Maria Rilke
,
tradução de Saulo Krieger




Blaue Hortensie


So wie das letzte Grün in Farbentiegeln
sind diese Blätter, trocken, stumpf und rauh,
hinter den Blütendolden, die ein Blau
nicht auf sich tragen, nur von ferne spiegeln.

Sie spiegeln es verweint und ungenau,
als wollten sie es wiederum verlieren,
und wie in alten blauen Briefpapieren
ist Gelb in ihnen, Violett und Grau;

Verwaschnes wie an einer Kinderschürze,
Nichtmehrgetragnes, dem nichts mehr geschieht:
wie fühlt man eines kleinen Lebens Kürze.

Doch plötzlich scheint das Blau sich zu verneuen
in einer von den Dolden, und man sieht
ein rührend Blaues sich vor Grünem freuen.


Rainer Maria Rilke

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